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04-05-2019


Apicultura e associativismo surgiram na mesma época

Para celebrar os 40 anos da FAASC, apresentamos aqui um resgate da história do associativismo apícola, desde suas origens até o estágio atual de desenvolvimento

Almir de Oliveira, 1º Secretário da FAASC


Recuando até o período da pré-história, encontramos referências em cavernas na Espanha e África do homem pré-histórico coletando favos de mel para serem usados em sua dieta alimentar. Os desenhos mostram, ainda, homens com lanças, arcos e flechas, utensílios para colheita, animais que eram caçados e alimentos que eram colhidos: surgindo assim uma parceria entre o ser humano e as abelhas.

A palavra associar significa unir-se com outras pessoas, é a reunião de um grupo social com os mesmos fins, de caráter voluntário, usada como instrumento da satisfação das necessidades individuais. Esta ajuda mútua já era praticada pelos homens pré-históricos quando saíam em busca de alimento de abrigo. O associativismo permaneceu através dos tempos.

No Brasil, as associações formais surgiram no séc. XIX: o decreto 2.711 e a lei 1.083, de 1860, orientavam a criação e o funcionamento das “sociedades”. 

Em quatro colméias, as primeiras abelhas do gênero Apis que chegaram ao Brasil foram trazidas pelo francês Sigismond Victor Vigneron de La Jousselandière em 1820. 

Em 1839 chegaram mais nove colméias, mas só sobreviveram sete, que foram trazidas pelo português residente no Rio de Janeiro, Manoel Joseh Pereira de Sequeiras, em uma parceria com o Padre Antônio José Pinto Carneiro – o qual recebeu o privilégio exclusivo por dez anos para importar abelhas da Europa ou da Costa da África para o município da Corte e Província do Rio de Janeiro, conforme o Decreto nº 72 de 12 de julho de 1839. 

Em 1853, chegou o apicultor alemão Friderich August Hannemann com duas colméias, instalando-se em Taquari (RS). Ele manteve por anos correspondência com o jornal alemão de apicultura “Bienenzeitung”, onde comentava sobre sua atividade no Brasil, descrevendo o nosso país como o paraíso das abelhas. Com isso, despertou a vontade nos apicultores alemães em migrarem para cá. E nesta onda, o mais importante apicultor foi Emil Schenk, professor que chegou em Curitiba em 1896, e em 1º de outubro de 1897 criou a primeira associação de apicultores do Brasil, a “Paranaenser – Imkervereinigung Centrale Curityba”.

Já em 1900, os apicultores de São Bento do Sul (SC), fundaram a primeira associação de Santa Catarina, e em 1922 é fundada em Rio Negro (PR) e Mafra (SC) uma associação conjunta, a “Vereines für Landwirtschft und Bienenzucht” (Sociedade de Agricultura e Apicultura). Assim, vão surgindo durante o século XX as associações de apicultura ou apicultores pelo Brasil, mas esta atividade associativa apícola só iria mesmo se consolidar a partir da década de 1960.

Com a queda de produtividade e aumento de doenças nas abelhas européias na década de 1940, houve um declínio na apicultura brasileira. Isto também levou a uma busca por uma forma de recuperação. Optou-se por encontrar uma raça mais resistente e produtiva. Então foram importados enxames da África para realizar experiência na tentativa de buscar uma solução para nossa apicultura, mas deu no que todos já sabem: as abelhas africanas escaparam e se disseminaram rapidamente pelo Brasil. 

A introdução das abelhas africanas inicialmente causou muitos problemas pelas suas características de agressividade e enxameação, que eram bem maior que as européias, fato novo para os apicultores. Então surgiu a necessidade de renovar a maneira de se praticar o manejo apícola, pois este novo gênero de abelhas impôs aos apicultores uma reciclagem de conhecimento, manuseio e uso de equipamentos utilizados, levando a classe apícola a começar a se organizar. Assim surgiram as associações, revistas, informativos e outras formas de comunicação.

A primeira foi a AGA - Associação Gaúcha de Apicultores, em 1963, transformando-se em 1967 em Federação das Associações de Apicultores do Rio Grande do Sul. Em 1966 fundou-se a ACA - Associação Catarinense de Apicultores, que chegou a ter 1800 sócios, sendo até hoje a maior associação apícola do país. Assim foi iniciado um novo ciclo, o de reativação ou criação de associações pelo Brasil. Em 1968, por iniciativa dos gaúchos, é fundada a CBA - então Confederação Brasileira de Apicultura, com a participação de gaúchos, catarinenses, paranaenses, paulistas e fluminenses.

Os ECAs - Encontros Catarinenses de Apicultores foram iniciativa dos próprios apicultores, com o apoio da ACA, pois a africanização das abelhas começou a exigir uma nova forma de manejo e adaptação dos equipamentos para a realidade apícola brasileira da época. Por iniciativa de um dos grandes líderes apícolas de Santa Catarina, Afonso Gerhardt Froehener, os apicultores de Rio Negrinho colocaram a mão na massa e não só realizaram o primeiro encontro catarinense de apicultores, como desenvolveram o fumigador que nos deu a medalha de ouro ao ser considerado o melhor do mundo em 1979, na Grécia.

Mesmo para as condições da época, é provável que tenha sido dos maiores encontros realizados no estado até hoje. Mas este assunto faz parte de outra história. 

Os pioneiros da apicultura no Brasil logo se uniram em associações, mas a exigência de troca de experiências veio com a introdução de abelhas africanas no ambiente

Dentre os momentos memoráveis do associativismo apícola estão os ECAs e os congressos catarinenses