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24-07-2018


A Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (FAASC), Sebrae, Epagri, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estão trabalhando em conjunto para buscar a Identificação Geográfica do mel de Melato de Bracatinga. Produto único do planalto ele resulta do líquido açucarado que o inseto cochonilha solta ao se alimentar da seiva do tronco da bracatinga.

É desse líquido que as abelhas produzem o melhor mel do mundo título conquistado pelo mel de Melato duas vezes no Congresso Apimondia. Conquistar a IG vai garantir que o produto é procedente de uma determinada região, agrega valor, cria uma identificação com o território, melhora a organização da cadeia produtiva e estimula o consumo local e por turistas, de acordo com o coordenador de Estudos de Agronegócios do Sebrae, Alan David Claumann. No próximo dia 30 de agosto deve acontecer em Lages a terceira reunião com apicultores da região para buscar a IG. Alan disse que o interesse é crescente, tanto que na primeira reunião foram em torno de 40 pessoas e na segunda 113 participaram.

O mel de Melato foi identificado com grande potencial para IG, quando começaram a desenvolver há três anos, com a UFSC, o projeto “Serra Catarinense em todos os Sentidos” e a aplicar a metodologia francesa “Cesta de Bens e Serviços Territoriais”. O projeto busca identificar e desenvolver os produtos gastronômicos de forma conjunta, como pano de fundo para aumento do turismo. “A Paisagem, o clima, outros elementos entram, mas a gastronomia é o propulsor para o incremento do fluxo turístico. A serra de Santa Catarina é um grande celeiro de produtos diferenciados”, diz Alan. Só o fato do estado reconhecer oficialmente a área geográfica, de que há uma produção econômica importante, independente do registro junto ao INPI, já é importante, de acordo com o consultor do Sebrae, Rogério Ern.

No momento a busca pela IG está na fase de delimitação do território, mobilização e sensibilização dos produtores e análises das singularidades do produto. A princípio a área vai do planalto serrano ao planalto norte, nas áreas de altitude e abrange em torno de 60 municípios, de acordo com o geógrafo Everton Vieira, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Ciram/Epagri), responsável pela equipe técnica que está fazendo os estudos técnicos.

A IG engloba a indicação de procedência, que está relacionada ao saber e o reconhecimento da região de algum produto. E a denominação de origem, onde o território determina a tipicidade do produto. A Epagri faz a caracterização Edofoclimática, que são estudos técnicos do solo e do clima para o relatório que será entregue ao INPI. O Sebrae desenvolve o relatório histórico e cultural, que de acordo com Alan deve estar pronto até o final de 2019. A FAASC seria responsável por organizar os apicultores. “Se espera todo apoio da FAASC para que a cadeia se organize, porque a federação já tem reconhecimento junto aos apicultores”, esclareceu o consultor do Sebrae, Rogério. O depósito junto ao INPI é custeado pelo Sebrae e Epagri, de acordo com ele. Depois de entregue ao INPI o processo leva de dois a três anos para ter reconhecida a IG.

O modo de gestão será definido junto aos apicultores, ao longo das reuniões que acontecerão mensalmente até a entrega dos relatórios ao INPI. Pode ser uma parceria entre federação e associações locais, pode ser um serviço terceirizado. “Os apicultores é que vão decidir”, disse o geógrafo da Epagri, Everton. E as verbas para gestão podem ser buscadas através de projetos junto ao governo, de acordo com ele. A gestão envolve o controle da forma como o produto é fabricado, análise de qual produto se encaixa para receber o selo e verificar se pode ou não fazer parte.

De acordo com o geógrafo da Epagri, Valci Francisco Vieira, será preciso formar um Conselho Regulador da IG, com técnicos das associações, membro das instituições de pesquisa, da universidade, de restaurantes e de empresários da cadeia produtiva. “O conselho vai verificar se as propriedades estão produzindo de acordo com o regulamento de uso. Se for aprovado o produtor vai dizer quantos quilos produziu e solicitar a quantidade de selos correspondente”, disse Valci. 

Outros custos da IG, de acordo com o consultor do Sebrae, Rogério, seriam por exemplo com um sistema de rastreabilidade, que já existe para quem exporta. “O mesmo sistema pode ser utilizado para a IG, não precisa inventar a roda”, explicou. Rogério ressalta ainda que com o reconhecimento pelo estado e federação com a IG possibilita pensar a apicultura e a meliponicultura a longo prazo, com o  desenvolvimento de políticas públicas e não apenas programas.

 Para o presidente da FAASC, Nésio Fernandes de Medeiros o projeto vem atender uma demanda de qualificação do mel de Melato, valorizando o produto de uma determinada região. “Se trata neste momento de uma primeira etapa de diagnóstico. Precisa, para continuidade da busca pela IG, viabilizar financeiramente sua implantação, através da elaboração de projetos visando a sustentabilidade da gestão”, disse.